Todo início de ano vem acompanhado de previsões. Algumas se confirmam, outras envelhecem rápido. Mas, olhando para 2026, há algo que parece menos uma aposta e mais uma constatação: o marketing deixa de ser sobre canais isolados e passa a ser, de vez, sobre jornadas conectadas, relevantes e responsáveis.
O consumidor já mudou. Ele transita naturalmente entre telas, contextos e momentos do dia. O desafio agora não é mais alcançá-lo, mas entendê-lo no fluxo da sua rotina e entregar mensagens que façam sentido naquele instante específico.
Da multicanalidade à jornada real
Durante muito tempo, falamos em estratégias multicanal como sinônimo de presença. Em 2026, presença sem integração tende a soar como ruído. O que ganha força são as jornadas multitelas, pensadas de forma contínua, onde mobile, streaming e CTV se complementam.
O consumidor assiste a um conteúdo na TV conectada, pega o celular para pesquisar, compara opções, se desloca pela cidade e toma decisões no meio desse caminho. A comunicação que funciona é aquela que acompanha esse movimento, respeitando o contexto e o momento de cada interação.
Mais do que repetir a mesma mensagem em diferentes telas, trata-se de orquestrar experiências, conectando impacto, frequência e relevância ao longo da jornada.
Dados com propósito: relevância e responsabilidade
Outro ponto central para 2026 é a evolução do uso de dados. Em um cenário cada vez mais orientado por privacidade e menos dependente de cookies, a pergunta deixa de ser “quanto dado temos” e passa a ser “como usamos esses dados para gerar valor real”.
Dados bem trabalhados permitem entender comportamento, intenção e contexto. Isso significa reduzir desperdício de mídia, evitar impactos irrelevantes e construir relações mais inteligentes entre marcas e pessoas.
A personalização deixa de ser um diferencial técnico e passa a ser uma expectativa básica do consumidor. Mas personalizar, daqui para frente, é também saber quando não falar, quando pausar e quando simplificar a mensagem.
Inteligência artificial como aliada da estratégia
Em 2026, a inteligência artificial tende a ocupar um lugar ainda mais natural dentro do marketing. Não como substituta do pensamento humano, mas como extensão da capacidade estratégica dos times.
A IA acelera processos, organiza dados, identifica padrões e viabiliza a clusterização de audiências em escala. Com isso, libera tempo e energia para aquilo que realmente importa: decisões, criatividade e leitura de contexto.
Na mensuração, a evolução também é clara. Cruzar sinais de exposição, visita e conversão permite uma leitura mais completa do impacto das campanhas em cada etapa da jornada, indo além de métricas isoladas.
CTV, TV 3.0 e o novo equilíbrio entre escala e precisão
A Connected TV segue ganhando espaço no Brasil, impulsionada pela consolidação das smart TVs e pelo crescimento do consumo de streaming com publicidade. Em paralelo, a chegada da TV 3.0 marca uma nova fase da TV aberta, com mais interatividade, qualidade e possibilidades de segmentação.
Esse movimento aproxima universos que antes eram tratados de forma separada e amplia o ecossistema de inventário digital. Para as marcas, isso significa mais oportunidades de construir jornadas multitelas consistentes, equilibrando alcance, frequência e mensuração.
O desafio permanece o mesmo: combinar escala com personalização. A diferença é que, em 2026, a tecnologia passa a trabalhar mais a favor dessa equação.
O que fica para 2026
Olhando para frente, o marketing caminha para ser menos invasivo e mais conectado. Menos sobre impacto isolado e mais sobre construção de valor ao longo da jornada.
Personalização, inteligência e integração não são tendências passageiras. São respostas diretas a um consumidor mais atento, mais exigente e constantemente em movimento.
Em 2026, as marcas que se destacam serão aquelas capazes de transformar dados em entendimento, telas em histórias e conexões em crescimento sustentável.






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